APLV ou intolerância à lactose? Diferenças, sintomas e cuidados a ter

APLV ou intolerância à lactose? Diferenças, sintomas e cuidados a ter

Testes de diagnóstico e formas de prevenção

A alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) e a intolerância à lactose são problemas distintos que exigem cuidados também eles distintos. Aprende a distingui-los neste artigo.

A alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) é a alergia alimentar mais frequente na primeira infância, sobretudo em crianças com idade inferior a três anos. Esta alergia é geralmente transitória, sendo que a tolerância se vai desenvolvendo até ao terceiro ano de vida.

De acordo com um estudo publicado pelo Serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada, 25% das crianças desenvolvem tolerância antes dos 12 meses, 50% antes dos dois anos e 85% são tolerantes antes dos três anos de vida.

Sendo o leite o primeiro e único alimento do bebé, é comum, sobretudo nos primeiros meses, ocorrer a APLV devido à imaturidade do aparelho digestivo, assim como da baixa imunidade do organismo.

Alergia às proteínas do leite de vaca ou intolerância à lactose?

Antes de mais, é importante notar que a alergia alimentar é definida como um efeito adverso resultante de uma resposta imunológica específica a um dado alimento e que é distinta de outras respostas adversas como a intolerância alimentar. Esta envolve reações enzimáticas ou reações mediadas por toxinas.

Portanto, a alergia é uma reação de defesa do organismo às proteínas, nomeadamente às proteínas dos alimentos. Pode ainda ser uma reação a ácaros, ao pólen, ao pelo de animais, entre outros. Além disso, as suas manifestações clínicas são, geralmente, imediatas.

No caso específico da alergia às proteínas do leite de vaca (APLV), esta é uma reação às proteínas do leite, nomeadamente e a título de exemplo, à caseína, à alfa-lactoalbumina ou à beta-lactoglobulina.

A intolerância à lactose está relacionada com a dificuldade do organismo em digerir e absorver o açúcar do leite (lactose), sobretudo devido à diminuição ou ausência da enzima lactase (enzima responsável pela digestão da lactose).

Assim sendo, a expressão “alergia à lactose” é clinicamente incorreta, pois apesar da APLV e da intolerância à lactose ocorrerem devido ao consumo de leite de vaca, são problemas com origens muito distintas.

APLV: principais sintomas

Os sintomas da APLV são variados e dependem muitas vezes da resposta imunológica. Todavia, os mais comuns manifestam-se através de reações imediatas, que incluem a síndrome de alergia oral e a alergia gastrointestinal imediata.

Na primeira, na síndrome da alergia oral, os sintomas são edema e prurido dos lábios, palato, língua e sensação de “aperto na garganta”.

No caso da alergia gastrointestinal imediata são vómitos e regurgitações (mais frequente), diarreia, dor abdominal, isoladamente ou como parte de uma reação anafilática ou envolvendo outros sistemas.

Além destes sintomas, ainda se podem verificar os seguintes:
• Refluxo gastroesofágico;
• Sangue e muco nas fezes;
• Cólicas;
• Obstipação;
• Fissuras anais;
• Anemia ferropénica;
• Dermatite atópica;
• Erupção cutânea;
• Dificuldades respiratórias;
• Pieira;
• Congestão nasal;
• Rinorreia;
• Náuseas;
• Recusa alimentar;
• Diminuição da pressão arterial;
• Acidose metabólica.

APLV: diagnóstico

De acordo com um estudo publicado na Revista de Pediatria – “Nascer e Crescer” – do Centro Hospitalar do Porto, o diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico, dieta de eliminação e prova de provocação oral (PPO).

No caso de suspeita de APLV deve ser realizada uma dieta de eliminação, na qual as proteínas do leite de vaca são totalmente eliminadas. A duração da dieta para fins diagnósticos deve ser tão curta quanto possível, mas suficiente para avaliar a resposta clínica.

Após a dieta de eliminação, a prova de provocação oral (PPO) é aconselhável, sobretudo porque é considerado o método definitivo para confirmar ou excluir a alergia alimentar. Este consiste na administração de doses graduais de leite de vaca, até atingir o equivalente a um volume adequado à idade. Esta é uma prova que deve ser realizada em meio hospitalar.
Segundo o mesmo estudo, além da PPO, nenhum dos testes diagnósticos atualmente disponíveis comprova ou exclui a APLV, nomeadamente as provas de IgE específicas e os testes cutâneos.

APLV: prevenção

Segundo a opinião unânime dos especialistas, o aleitamento materno exclusivo até aos seis meses de idade parece ser um fator protetor, tanto desta como de outras alergias alimentares.

Apenas nos casos em que os sintomas da APLV são considerados graves, a mãe que amamenta deve seguir uma dieta especial isenta de leite, derivados e alimentos que possuem as proteínas do leite, sempre sob a orientação de um médico e/ou nutricionista.

Nestas situações, tenha especial atenção na leitura dos rótulos dos produtos alimentares que compra, sendo que deve evitar os seguintes ingredientes:
• Leite evaporado;
• Leite desnatado;
• Leite em pó;
• Soro de leite;
• Caseína e hidrolisado de caseína;
• Caseinato;
• Coalho de caseína;
• Lactoalbumina;
• Fosfato de lactalbumina;
• Lactoglobulina;
• Lactulose;
• Lactose;
• Lactato de sódio/cálcio;
• Aroma artificial de manteiga, gordura de manteiga e óleo de manteiga.

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** Activia contém cloreto presente de forma natural, que provém de sais minerais e que contribui para uma digestão normal através da produção de ácido clorídrico no estomago. Deverá ser consumido integrado numa alimentação e estilo de vida saudável.

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